domingo, 14 de agosto de 2016

Cavaleiros do Céu na Terra dos Homens

O Céu azul se desdobrava num dia limpo e claro. Uma brisa suave soprava sobre a relva macia espalhando o pólen brilhante de plantas raras. Não havia motivo para alguém se sentir triste num dia tão lindo onde até os pássaros cantavam e aos bandos faziam revoada nas copas das árvores. Will Benett Gardier, porém, atravessava o campo verde segurando nas mãos grandes de seu pai, com o mais triste dos pesares estampado no rosto. Sua face juvenil demonstrava a aflição que seu coração sentia. Suas mãos tremiam e um suor frio correu por seu rosto de bochechas rosadas.
No caminho todo havia ficado calado e nada que visse no trajeto o fazia mudar a expressão do rosto. Os cabritinhos na beira do campo saltavam entre pequenas pedras e vez ou outra subiam nelas num só salto. Seu pai parou e mostrou ao filho procurando desviar lhe a atenção... Mas não adiantava nada;
Continuaram a caminhar até chegar a uma pequena entrada de sitio ornamentada com pedras escuras e um sino na porteira. No alto da porteira uma placa entalhada em madeira ainda preservava a parte aredondada do troco na sua parte de trás e na frente havia uma inscrição que dizia: "No céu há um lugar pra mim. Toda aquele que andar na luz verá e entre os anjos viverá. Do mundo nada se levará senão tristezas. A alegria esta junto do PAI no grande céu azul."
Bem longe podia se ver um casebre de roça com telhas vermelhas, uma cerca rustica de madeira onde uma cabeça de boi estava fincada marcando o território. Um espantalho no meio da plantação e um catavento que trazia para superfície água de um antigo poço artesiano.
Alguns cavalos amarrados na entrada de um pobre curral sem paredes e todo aberto. Passando-se junto a eles Will percebeu uma estrela de bronze com entalhes góticos cravadas nas selas dos cavalos. Um cordão de contas de madeira presa na manta do cavalo, na manta uma oração inscrita com tinta vermelha e um cobertor amarrado na sela com uma tira de couro branca com detalhes de bronze. Na entrada da cassa 12 homens de pé trajados com túnicas cinzentas, Estes homens traziam no pescoço um cordão de contas de madeira com um medalhão de bronze e uma cruz decorada.
Ainda havia no medalhão uma inscrição e um desenho bem definido de asas presas a uma espada.
Quando Will e seu pai passaram por eles, gentilmente abriram caminho e sorriram com leveza de expressão e um conforto no olhar. Havia paz no semblante deles. Algo de estranho na forma como se curvaram a cumprimentar os visitantes. Houve silêncio e nenhum som se ouvia vindo dos arredores. Era como se o tempo tivesse parado. Entraram na casa se apressando ate as portas de um pequeno quarto. A porta estava aberta e um aroma de fores no ar trazia mais melancolia ao ambiente. Era a casa de um homem justo e um servo do bem. Onde a honra morava com orgulho de dever.
A casa simples de um velho fazendeiro de honra e valor. Benett du vois gardier, era um homem conhecido em toda a região. Seus negócios nas cidades e campos de agricultura era de fama aparentemente honesta. Agora em tempos difíceis a doença o incomodara e abatido se fazia meio durão... Mas dias de trabalho árduo nas roças o colocara em estado lamentável de extrema exaustão.
Acamado a muitos dias seu estado só se agravara. Seu rosto pálido expressava com pesar algo não muito bom. Algo que poderia leva-lo mais cedo do que pudesse imaginar.
Preocupado com o estado do pai, Julios resolverá levar o neto ate a presença do avô.
Will entrou no quarto meio que timidamente, como se o peso das verdades o incomodassem muito. Na face branca do seu avô viu o meigo carinho e cuidado que ele sempre tivera com as pessoas da família e os amigos. Porem uma coisa o incomodara ainda mais. Ao lado da cama uma vela acessa quase se apagava mesmo não havendo vento no quarto. Um anjo negro repousava na cabeceira da cama e olhava diretamente para o velho homem. Uma sombra sem rosto se escondia no canto do quarto.
Parecia que ninguém mais os viam.
Mas Will encarou o anjo negro com tanta certeza que este o olhou com o ar de desafio.
A morte era tão certa para aquele senhor como a visão daquele anjo na cabeceira da cama.
Will não teve medo. Repreendeu o Anjo negro com um olhar de desafio.
O Anjo Negro percebeu isso. Estufou o peito mas não saiu dali.
Os dois se fitaram por um breve momento até que um dos homens de cinza entrou no quarto.
- Você viu ele não foi pequeno Will?
disse o homem enquanto apontava bem devagar para o canto do quarto.

Will olhou para o homem de cinza com a expressão mais simples do mundo e retrucou.
- Eu vejo as sombras nos funerais e o anjo negro sobrevoando as casas de quem vai morrer! Eu vejo eles a caminhar pela cidade em dias tristes e nublados! Eu os vejo nos campos vigiando as horas de trabalho! Mas nunca cheguei tão perto! Nunca tão perto!

O homem de cinza sorriu com leveza na expressão e perguntou a Will:
- Você sabe porque você os vê, Will?

- Não senhor! Eu não sei porque!
Respondeu a criança meio intrigado.

- Vá ate seu avô! Despeça se dele!
Disse o homem com um leve sorriso.. e colocando uma das mãos nas costas de Will, encaminhou o para o lugar onde repousava o avô.

Will andou ate a cama de madeira entalhada e suavemente percorreu a mão pelo lençol branco... pegando a mão do ancião de pele seca, o chamou com gentileza. Alguns segundos se passaram.
Ao abrir os olhos o ancião se encheu de alegria e seus olhos lacrimejaram. Havia grande alegria naquele rosto cansado. Engoliu as palavras com aflição quando tentou falar... ao que o neto interferiu pedindo que não se esforçasse muito. O avô fez um sinal de silêncio e apontou para o canto do quarto onde uma sombra estava parada, totalmente imóvel. depois apontou para a cabeceira onde o Anjo negro estava a olhar seus dias. Não havia vento nem brisa. Só um grande pesar. O ar estava pesado e sombrio. Então o neto disse a cochichar nos ouvido do avô:
 - Eu sei vovô... Eu o vi! Esta bem ali olhando pra nós! São sombras do inferno. Criaturas do mal e o Anjo negro da morte! Eu sei vovô!

Seu avô se encheu de alegria e começou a chorar. Haviam uma satisfação nele ao ver que o neto podia enxergar a morte bem ali... bem ali no quarto... bem perto sem nem ao menos ter medo disso.
- É você meu neto! É você mesmo o discípulo! O próximo Cavaleiro!

Will voltou lentamente seus olhos para o Anjo negro e este apontou para fora do quarto, como se expulsasse Will dali. O garoto baixou o olha por um segundo depois retornou o olhar com maior desafio, com a cabeça mais baixa porém olhando fixamente nos olhos da morte.
Vendo isto o avô interviu com pressa.
- Não Will... Não desafie a morte! Antes deixa a cumprir seu papel na humanidade! Existem coisas que não podemos evitar quando é chegada a hora! Fica comigo Will... Hoje eu vou partir! Mas não chore meu neto... Daqui você deve prosseguir! Os 12 estão aqui e você deve ir com eles no cair da tarde! As sombras espreitam o mundo a destruir vidas e corromper os jovens! Sabe Will, há muita dor no mundo... Mas quem é ungido pela Luz sagrada deve confortar e acolher o justo! Os corações sofrem e as lágrimas dos sofredores é a doce palavra do amor! Vá Will... Vá e aprenda o caminho por onde deve andar! O caminho é o Céu e a palavra o conforto para a alma! Não há pecado no amor apenas o desejo da felicidade e mesmo no fim o amor vence a escuridão dos dias e a cegueira nas lutas! Num clarão haverá sabedoria e conhecimento para vencer o mundo e suas profanas altarquias de luxuria! Há muito mal no mundo e os demônios seduzem os humanos com doces promessas e luxo! Mas, Will.. O homem sábio não se corrompe com isso! Antes busque o caminho do céu Will e serás largamente abençoado! Honra essa graça e segue a semear o bem! Que as tuas palavras sejam fortes e haja luz nos teus dias! Quando teu coração pesar e a noite cair sobre você... Ore!

O garoto sente aflição nas palavras e uma lágrima desce, pois a respiração do avô se torna pesada e sufocada. Mas o avô aperta sua mão contra o peito e continua a falar. O anjo interrompe com voz lúgubre e muito rudemente o chama.
- Venha ancião... É chegada a hora da partida! Deixa o mundo e suas dores para trás! Não é o fim apenas o começo e o renascimento o inicio da partida? Venha comigo e deixa o mundo... AGORA!!

- Espera!!
Disse o ancião com voz tremula e cheio de lágrimas.

- Não! Já esperei de mais!
diz a morte mostrando o antigo relógio de areia presa ao seu cinturão.

Então o avô se apressa a falar com seu neto.
- Will! Escuta com atenção Naquele baú de madeira esta guardado um medalhão com uma cruz! Apanha o!

O garoto obedece rapidamente, pois o anjo negro já começara a sair da cabeceira da cama e caminha para o seu lado... Se posiciona junto ao ancião e lhe estende a mão.

A honra é a de seguir os caminhos do céu e as coisas sagradas. Aqueles que o fazem são abençoados pelos céus. O inimigo pode tentar arrancar suas vitórias mas quem é ungido pela boa palavra jamais será realmente derrotado.